IMPLICAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E A BIOSOCIODEMOGRAFIA DE UM CONJUNTO DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL EM URUGUAIANA

Christian Caldeira Santos, Jacinta Sidegum Renner

Resumo


Uruguaiana possui baixos indicadores sociais que podem influenciar a vida de crianças com paralisia cerebral. Objetivo desse artigo é contextualizar o perfil biosociodemográfico de crianças com paralisia cerebral que são assistidas por dois centros destinados a reabilitação física infantil em Uruguaiana. Foi utilizado como método a pesquisa aplicada, descritiva e de estudo de caso. A amostra foi de crianças com diagnóstico clínico de paralisia cerebral, de quatro a doze anos, que realizavam tratamento fisioterapêutico nos dois centros de reabilitação e residentes em Uruguaiana no mínimo há um ano, e seus pais/responsáveis. O perfil biosociodemográfico foi avaliado por um questionário estruturado e pelo Critério de Classificação Econômica Brasil (2018) respondidos pelos pais/responsáveis, assim como o Sistema de Classificação da Função Motora Grossa aplicado nas crianças. A análise dos dados foi realizada por meio da estatística descritiva e os resultados obtidos destacam maior frequência do perfil de crianças com quadriplegia espástica, com altos níveis de comprometimento motor, do sexo masculino, de menores classes sociais, que recebem benefício governamental, que residem em moradias próprias, em bairros periféricos e com benfeitorias básicas residenciais. A pesquisa concluiu que fatores do cenário regional associado aos do perfil biosociodemográfico geram um status quo de vulnerabilidade e fomenta a exclusão social nesse grupo de criança com paralisia cerebral e de seus familiares.


Palavras-chave


Crianças; paralisia cerebral; perfil biosociodemográfico; indicadores sociais.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18066/revistaunivap.v25i48.2246

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